sexta-feira, 2 de abril de 2010

De: Teca Santos







(A)COLHA-ME!


 Hoje anoiteci tão sua

Entregue aos nossos momentos

Um gosto de saudade na pele

Um cheiro de desejo no olhar

Pulsação, fruto em larvas

Tão sua!!!

Sede,suor, sumo,

(A)colha-me!

Tão sua!!

Nesta noite lunar

Sua,

DiLUA-me!!


domingo, 7 de março de 2010

De: Teca Santos



PRO NOMES


TEU nome em MINHA memória

Ponte entre o que sou

e o quero ser agora: TUA

Senha, código, passagem

para o MEU corpo:TEU

Mulher, fantasia, loucura:EU

Universo onírico, simulacro:NÓS

Impossibilidades

Lugares outros, desterros de paixão

beijos em outras bocas: desencontros

Busca,ilusão

Cavalgadas, cansaços

MEU nome inaudível em TEU gozo:angústia

TEU nome, no meu..., grito surdo:SOLIDÃO

by Terezinha

segunda-feira, 15 de junho de 2009


Nature

Adelia Prado

CORRIDINHO



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O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.
O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.


Adélia Prado

segunda-feira, 18 de maio de 2009








ÂNIMO, ANIMA

Ir para a sala de aula, a cada ano letivo, está representando para mim a entrada em um campo de batalha entre a minha vontade de continuar e o desejo de desistir de uma luta (vã). Ânimo. Vamos lá. Escrever os objetivos no plano de curso, entregá-lo à gestão pedagógica e antever o LUGAR que lhe será DESTINADO, antever também a sua ineficácia diante de uma turma de alunos, em sua grande maioria, “robotizada”, perante uma palavra dita ou escrita, na tentativa de uma mobilização discursiva: “É pra copiar?”.
Resposta negativa, interesse idem.



Quem dera que o registrado naqueles papéis se tornasse, em sua concretude, uma pauta de discussões e encaminhamentos. Em relação ao ensino da língua materna, por exemplo,que a concepção bakhtiniana de linguagem, na qual a palavra é o fenômeno ideológico, por excelência, fosse realmente a orientadora de um processo interacional na construção de sujeitos socializados, cultural e tecnicamente formados em direção à sua autonomia. Não é essa a função da Educação?


Entretanto, há um processo comunicativo em sala de aula, quase sempre interrompido pelo professor/a na tentativa de se conseguir um mínimo da atenção do alun@, quando se pede que esse/a dedique menos atenção aos seus acessórios tecnológicos e participe da aula exposta. Notadamente, percebe-se que com o advento desses gadgets que vão do telefone celular a outros sofisticados aparelhos de entretenimento, mudam-se as formas de interação entre os próprios adolescentes, paradoxalmente, o silêncio é perturbador nesse contexto de fones compartilhados, suas vozes silenciadas e a nossa que não os alcançam.

E a figura do professor/a vai se transformando naquela imagem dos “evangélicos”, que perseverando em levar a palavra de Deus, não importa onde, nem quando, são tomados por uma força incomum e uma inabalável fé na “missão” de anunciar a volta do Salvador. Sabe-se também, que para muitos, aqueles/as não passam de fanáticos, alienados, ora, já não é essa a representação coletiva da maioria dos professores/as no imaginário social?

Volto a insistir na escola como o lugar do não-sentido para alguns educand@s e na sala de aula como a possibilidade de uma revolução ou o lugar da acomodação, muito bem caricaturado naquela imagem dos três macaquinhos, cada um com sua habilidade específica. Um quadro recorrente que moldura uma cena de leitura em sala, quando solicitamos ao aluno sua opinião sobre o texto que acabamos de ler. E como resposta: que TEXTO???

Ir para a sala de aula, a cada ano letivo, está representando para mim (...)


Terezinha Oliveira Santos
Professora das redes estadual e municipal de ensino de Salvador/Bahia

sexta-feira, 17 de abril de 2009





ASHELL,ASHELL PRA TODO MUNDO, ASHELL


Elisa Lucinda




Ela mora num Brasil
mas trabalha em outro Brasil
Ela, bonita...saiu.Perguntaram: Você quer vender bombril?
Ela disse não.
Era carnaval.Ela, não-passista, sumiu
Perguntaram: empresta tuas pernas, bunda e quadris para um clip-exportação?
Ela disse não.
Ela dormiu. Sonhou, penteando os cabelos sem querer
se fazendo um cafuné sem querer
Perguntaram: você quer vender henê?
Ela disse nãâãão.
Ficou naquele não durmo não falo não como...
Perguntaram: você quer vender omo?
Ela disse NÂO.
Ela viu um anúncio da cõnsul para todas as mulheres do mundo...
Procurou, não se achou ali. Ela era nenhuma.
Tinha destino de preto.
Quis mudar de Brasil: ser modelo em Soweto.
Queria ser realidade.Ficou naquele ou eu morro ou eu luto...
Disseram: Às vezes um negro compromete o produto.
Ficou só. Ligou a TV
Tentou achar algum ponto em comum entre ela e o free:
Nenhum.
A não ser que amanhecesse loira, cabelos de seda shampoo
mas a sua cor continua a mesma!
Ela sofreu, eu sofri, eu vi.
Pra fazer anúncio de free, tenho que ser free, ela disse.
Tenho que ser sábia, tinhosa, sutil...
Ir à luta sem ser mártir.
Luther marketing
Luther marketing...in Brasil.

João Henrique,quatro meses depois...


Permisso

          Permitir vem do verbo latino permittiére que significa “deixar seguir” ou “consentir”, dá licença para alguém fazer algo, autori...