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quarta-feira, 24 de junho de 2020

Das recordações juninas...


Das recordações juninas ...



Há muito só restaram as lembranças de um tempo do São João,em Itapetinga. Essas recordações me levam de volta à infância e nela vejo minha mãe se preocupando com a necessidade de nossas roupas e sapatos. Assim, os meses que antecediam à festa, aqueles mais próximos, eram ritualizados pela ida à loja de tecidos e de calçados. Não que tivéssemos direito aos dois itens. Eu a acompanhava para escolher o tecido do meu vestido. Ali começava meu São João. Mesmo que essa ida às compras me trouxesse o dissabor de passar por uma ladeira íngreme, da qual eu morria de medo. Sempre me via caindo e essa visão me paralisava. Era um esforço imenso chegar à uma loja de placa pequena onde se lia o nome “Evereste”. Talvez tivesse esse nome por causa do monte. Não sei. Aquele ponto comercial, na subida e/ou descida, passou a representar para mim um dos desafios que eu deveria vencer na vida.

Essas lembranças me levam a algumas ruas com suas palhas de coqueiro , as fogueiras “armadas”, esperando o grande momento, e o colorido das bandeirolas que dançavam ao som do vento frio de junho. Do ar, vêm as lembranças sensoriais marcadas pelo cheiro doce do licor de jenipapo, do “quentão” misturado ao aroma dos bolos, ximangos, avoadores, dos “assados” e demais iguarias que fazem parte dessa gastronomia junina À noite, nossos olhos espelhavam o resultado dos fogos quando esses espocavam em luz e festa celeste. As crianças vizinhas, com seus pais cuidadosos na vigília das brincadeiras com as “chuvinhas” , “cobrinhas”, “traques” nos seus efeitos pirotécnicos e sonoros , dos quais eu e meus irmãos éramos espectadores.

Outra alegria, era sairmos, crianças em grupo, numa expedição pelas ruas próximas à nossa rua Itaberaba, perguntando: “São João passou por aqui?” Depois de decidir em qual casa perguntaríamos e quem teria a coragem de fazer essa ação. Felicidade era regressar com os olhos lacrimejantes pela fumaça, o riso solto, as mãos cheias de pedaços de bolo e aquele biscoitinho de goma que dissolvia e grudava no céu da boca, Da casa de D.Matilde e S.Tuca, a radiola a tocar: “Olha pro céu meu amor(...)”; “Com a filha de João, Antonio ia se casar (...)”. A noite terminava com a certeza de que no próximo ano tudo se repetiria. E eu estaria com um vestido novo, estampado com flores e bordado de esperanças.

Hoje, da minha janela olho pro céu. A fumaça do tempo deixou as saudades e a gratidão pelos dias idos e vividos. São lembranças que alentam ,mas que também fazem sofrer, em especial, pela recordação daquelas e daqueles entes queridos que já fizeram a passagem.Outras lágrimas causadas por outras fumaças.Entre elas, essa pandemia que acentuou separações, proibiu abraços, escondeu nossas faces, interditou caminhos, embaralhou os dias e nossas ideias.Sigamos, nos cuidando e na fé em novos dias para que, em tempos juninos vindouros, possamos ouvir nossa criança interior a nos perguntar: “São João passou por aqui?”.





Terezinha Oliveira Santos
24.06.2020

sábado, 1 de fevereiro de 2020


A imagem pode conter: 2 pessoas, incluindo Gean Santos, pessoas sorrindo, selfie e close-up


Casal texto


Em nossa vida acadêmica, somos "obrigados" a ler muitos livros . Às vezes, nessas leituras, não basta acessar a língua portuguesa. Temos que enveredar por outras compreensões das línguas estrangeiras. Isso é importante! São, também, demonstrações de conhecimento que transitam entre as relações de poder e as "fogueiras de vaidade", peculiares àquele ambiente. Entretanto, há lições, há textos que estão disponíveis no nosso cotidiano, impressos em gestos e, por pessoas comuns, pessoas ordinárias ou melhor, pessoas extraordinárias.

Graças ao Orun, tenho sido abençoada porque tenho esses textos bem perto de mim e, na alfabetização, nesse processo de (con)vivência , essas pessoas têm-me ensinado lições que não cabem em nenhum livro, não podem ser traduzidas por nenhuma ferramenta, analógica ou digital, porque escritas na linguagem do amor, com caracteres invisíveis, tamanho multidimensional, Fonte sentimental, capitular. Textos que só olhos que podem ver conseguem enxergá-los , compreendê-los, interpretá-los dadas às suas sutilezas. 
 
Esses textos requerem sensibilidade, sensorialidade e, quando digo "olhos que podem ver", estou me referindo à terceira visão,que paradoxalmente, pode ser acessada pelos visuais e pelos não-visuais. Das minhas leituras, destaco o casal/texto Édina Soraya(Dine) e Gean e nele vou corrigindo,ampliando, revendo minha compreensão da palavra cônjuge. Essa palavra pode nos provocar riso, quando a conectamos a uma certa figura pública, eu sei, mas, ela também pode-nos levar a reflexões. 

Dine e Gean me fazem acreditar na possibilidade das uniões. Não vou utilizar a palavra estável porque seria uma incoerência.Durabilidade e estabilidade são coisas diferentes. As uniões nunca são estáveis, porque sujeitas aos abalos íntimos e externos da sociedade, em especial, do núcleo familiar, em suas imperfeições, colaborações, problemas, soluções, confusões, tudo que faz parte do humano, do demasiado humano. 

Penso que Dine e Gean podem-nos ensinar que casamento é a soma de todos os medos, mais que nome de filme, isso significa que somos seres da errâncias e acertos, vitórias e fracassos , mas que juntos podemos encontrar o equilíbrio, ou equilíbrios. É preciso coragem! Casamento é mais que festa, álbum de fotografia, dancinha coreografada, festa parcelada em cartão de crédito até o Apocalipse. 

Gean e Dine, juntos, corajosos, têm-nos ensinado muita coisa e , nesse tempo que eles têm para se amar , é tanto amor, que ainda sobra sentimento para cuidar dos amigos.Juntos!
Esse texto é uma das formas que encontrei para expressar a minha gratidão, queridos! 
Muito obrigada!
 


#Saúde!
#Bençãos!
#Felicidades!

quarta-feira, 13 de novembro de 2019





 Novos corpos, velhas leituras


Do acervo Teca Santos (13/11/2019) @teka_olivei




Uma mulher negra, de meia-idade, sentada, com um livro nas mãos, em processo de leitura, ou com seus papéis e tecnologias a produzir seus textos, parece incomodar a muita gente, em certos momentos. É diferente a percepção quando estamos em outras atividades laborais, implicadas em servidão, a manusear outras ferramentas. Parece que não temos direito ao descanso, ao isolamento intelectual.  Há uma perversa semântica na amálgama desse corpo negro/mulher/trabalho. Quem já passou pelas experiências acadêmicas do Mestrado e Doutorado, sem licença profissional e cuidando da família, sabe muito bem do que estou falando. Uma mulher negra com uma pilha de livros e papéis em cima de uma mesa, também pode ser considerada uma louca, ou enlouquecerá de tanto estudar.


Ocupar o lugar de sujeito da nossa história é algo que desestabiliza a colonialidade das mentes ainda coloniais.  As leituras desse corpo negro intelectual exigem atenção, porque para muitos e muitas de nós, a consciência do racismo epistêmico é algo recente, em processo. Nessas leituras e interpretações, é preciso que seja respeitado o direito desse corpo mulher/negra/trabalho “não lavar os pratos”, no sentido poético da Cristiane Sobral; isolar-se num fim de semana com a cama recoberta de livros; não estar disponível para alguns eventos. Não é desleixo, não é ser mal amada, não é solidão. É uma relação diferente com o tempo. Um tempo que não tivemos e que nos é muito caro. É só um tempo de plantar. Assim, depois das mãos unidas, na força individual e coletiva do  “ninguém solta a mão de ninguém”, um dia, poderemos libertá-las  para a colheita. E essa será farta! Esse dia há de vir!





Terezinha O Santos (Teca Santos)

sexta-feira, 4 de outubro de 2019




 


Água das chuvas 

Quando eu era criança, tinha muito medo de chuva...
Qualquer chuva, mas em especial, daquela que  caía  à noite,
com relâmpagos e trovões...
Espelhos cobertos, vasilhas aparando as goteiras ...
Minha mãe dizia que o trovão era   voz de Deus, zangado,
porque fizemos alguma coisa errada. Em silêncio eu Lhe pedia perdão... 
e  lutava para o sono não me vencer naquela frágil vigília.
Tinha medo de a chuva destelhar a casa e a enxurrada nos levar para longe.
Nas noites de chuva,  chorava debaixo do cobertor,
 pensando nas pessoas que andavam pelas estradas, sem abrigo.
Pensava em meu pai que longe de casa trabalhava, nos trechos,
como um servidor público de um departamento de estradas e rodagens.
Será que estava molhado? Estava com frio?
A impossibilidade de saber notícias sua, naquele momento,
aumentava a quantidade das minhas lágrimas
e a dor era um  nó  em minha garganta.
Chuva memória!
Cresci!
A chuva continua a me trazer sentimentos tristes. 
Luzes e buzinas nessa cidade grande
Dentro do carro,pingos de chuva no pára-brisa..
Pessoas nos pontos de ônibus buscando abrigo
pés encharcados dentro dos sapatos...
A roupa molhada sobre a pele...cheiro de umidade
Frio no corpo e n`alma!
A chuva ainda a cair!
Sinto pelas pessoas que estão em  situação de rua 
Sinto pelas ruas e seus trapos, entulhos, dejetos sociais
E eu aqui,  ilhada, solidão
Chuva lamentação!
E essa  vontade imensa de estar em casa,
Se pudesse, você, meu edredom!
E a chuva passou no tempo  levando consigo as moradias
Casa (im)própia dos condenados!
Condenadas casas
Diluídas nos sonhos da alforria habitacional
Vidas soterradas! "Que sirvam de exemplo!", disse o alcaide
Não foi culpa da chuva.. ! Faltou a alvenaria, a viga.
O pobre sabe que  faltou a cidadania!

As águas volumosas e a chuva  têm de mim os mais 
puros sentimentos de medo e respeito
Pelas vidas que se foram para os reinos fluviais dos  encantados. 
Velho Chico, Opará!
Orar, orar pelos povos de quem lhes foram retirados o chão dos seus pés.
Tumbeiro de desterrados , entre o céu e o mar
E se chove?  Entre as águas, as lágrimas dos  ébanos transatlânticos,
one more time!
À deriva!
Redivivos em terras estrangeiras, quando se lhes acontece
 Em outras terras  (sobre)viverem!

E assim compreendo que essas águas são a metáfora da vida
Água nutriz que nos orna no lar uterino
Água início e fim..dialética
Águas benditas soluçadas nas preces sertanejas
Água profética que arrebenta a semente
Água planta
Água benfazeja...assim seja. Água!!
E essa sede de viver
E esse medo que nunca passam... !



Foto: William Ferreira Carvalho

terça-feira, 21 de agosto de 2018

                 De uma fã, com amor!




Não sou dessas fãs que, enlouquecidas, gritam, desmaiam quando podem ver seus ídolos /ídolas  no mundo real, ali no palco, ou alhures. Não. Não sou! Preciso repetir essa negação que, paradoxalmente, traz em si uma afirmação. Portanto, estou mentindo. Minhas lembranças me traem, pois me comportei daquela maneira quando tive o prazer de, certa ocasião,  assistir a um show de Emílio Santiago, na Concha Acústica, em Salvador.

A emoção de estar pertinho do artista, cuja voz tocava fundo a  minh’ alma, acelerou meu coração, arrancou gritos da minha garganta, num frenesi de libertação e entrega. Obrigada, meu querido Emílio,  que tão cedo partiu para o Orum. Agradeço-lhe por despertar em mim a empatia e a solidariedade com aquelas e aqueles que têm a coragem de querer bem e, nesse bem querer, se permitirem a um instante de felicidade na artística presença e potência do Outro.

Atualmente, meus afetos estão partilhados entre três atores brasileiros: José Dumont, Irandhir Santos e Caco Ciocler. Não sei muito sobre os mesmos, enquanto homens ordinários. Não sou de ficar vasculhando suas vidas. Gosto. Gosto e admiração se confundem e tenho interesse por tudo que a eles dizem respeito, enquanto atores. José Dumont é um artista que traz em si uma força bruta como uma essência, a ponto da personagem e ator se confundirem, em especial, quando ele interpreta o sertanejo,  sua mais recorrente atuação, o que colabora para ator/personagem e paisagem mesclarem-se poeticamente. 

Seu último trabalho, em Onde nascem os fortes, foi para mim a sua mais bela metáfora com a interpretação de   Tião das Cacimbas e suas frases (des)conexas, mas não posso esquecer da personagem amarga, animalesca,  a fabricar e comercializar  rapadura na dura caatinga, no filme Abril Despedaçado. Poderia enumerar mais e mais trabalhos do Dumont, mas seria como andar em círculos. 

Meu segundo favorito é o Irandhir.  Gosto de Irandhir Santos pela calma do seu olhar. Sua expressão visual, independente da personagem, transborda uma ideia de tempo, como a água que lentamente move o moinho.  Há na sua essência uma sensualidade que está ali,  mas finge-se imperceptível, o que a acentua e imprime ao ator  um charme especial.  Entre seus inúmeros trabalhos artísticos, tenho carinho especial por Zelão, em Meu pedacinho de chão, representação que melhor o traduz no meu imaginário.


Caco Ciocler  é um dos meus preferidos, há muito. Gosto da sua versatilidade...das suas reinvenções para compor personagens. Gosto também do seu olhar e do sorriso que se inicia nos olhos e se espalha pelo rosto, ampliando sua beleza serena, escamoteada. Na cena da novela Segundo Sol, no capítulo de ontem, vi seu personagem, o Edgar,  transbordar-se em choro, mas um choro interno, um choro que, soluçado em engasgos,  revelava o  homem impotente diante das vicissitudes. A cena refletia muito de nós, brasileiras e brasileiros, nessa realidade caótica diante dos noticiários cotidianos e fatos circundantes. 

Portanto, esse é o trio de homens cujos nomes levam-me a assistir a qualquer produção na qual eles apareçam. Se um dia gostaria de encontrar-me com um deles? Não. E esse "não" significa dizer que a minha admiração é destinada ao que eles representam no meu imaginário afetivo e esse não tem nenhuma obrigação com a realidade, além do mais, concordando com o filósofo espanhol, Miguel de Unamuno, “que bela é uma laranja, antes de ser comida”. É isso. Quero apenas contemplá-los. Assim.


Terezinha Oliveira Santos. 21/08/2018


sexta-feira, 23 de dezembro de 2016



Refúgio


Toda vez  que ventanias, tempestades, abalos sísmicos 
ameaçam minha frágil estrutura
é em você que penso...
meus pensamentos voam em busca
da tua voz morna e calma
do teu aconchego,do teu cheiro english  lavander

Com você poderia enfrentar qualquer perigo
My capitain! My hero! ...My love!
Eu, mulher, valente a velejar em tuas águas...teu suor
teu aconchego...testosterona!!!

Toda vez que a brisa mais fria desnuda a minha pele
é em você que penso sob o edredom...refúgio...
patchwork de nós dois...inteiros...exaustos!!!

Toda vez  que ventanias, tempestades, abalos sísmicos 
ameaçam minha frágil estrutura...sou homeless a vagar!!







sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Dez anos!

Dez anos!!

Há muito que não te escrevo.
Perdi o interesse pelas palavras.
Nunca mais quis ouvir a música "Oceano"!
Silenciei o poeta,
Tranquei  meus sentidos e aprisionei meu coração
Assim ele não poderá mais enlouquecer
Enlouquecido amar
Enlouquecidamente desejar o impossível
Sonhar com o inatingível

Ter ganas pelo alheio...
Há muito que não escrevo
Não há palavras que possam te trazer de volta...
Volta!




terça-feira, 29 de janeiro de 2013

DEVANEIOS




                   
Que nome se dá a essa loucura

de sofrer por um amor que nunca existiu,

mas cuja chama teima em não se apagar?

O que fazer com a memória?

Oficina de sons e imagens,

holografias quase tangíveis...

espectros, penumbras...VOCÊ..você.

que nome se dá à inominável 

angústia de esperar por quem 

nunca partiu?

Que nome ...




Teca Santos

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Ausência







A saudade que me enlaça

 aparta de mim os sentidos,

desatualiza  meus olhos de tua presença,

deixando apenas arquivos dos teus gestos,

mãos vazias do teu corpo,

 pele sem o teu  suor,

poros sem a tua voz.

Das lembranças do pouco que tive,

e do muito  que podia ter sido,

restou apenas   um gosto de esperança,

nesses suplicantes versos.


Teca Santos





terça-feira, 28 de junho de 2011

PÊNDULO





Teu sorriso,
rota única.
Teus olhos,faróis feiticeiros, perdição
do que antes em mim era calmaria.
Vieste
Oceano, e eu metade submersa em ti,
porque inteira, jamais.
O que fizeste comigo?
Agora, nau sem rumo, transatlântica
nesse mar que nos separa,
juntando passado e presente
da mesma história de um amor que não chegou ao cais; naufrágio...
Pêndulo, porque pleno, já não mais.

Teca Santos

domingo, 4 de abril de 2010

LOCUS































LÓCUS




Nem Grécia,

Nem Veneza,

Nada

Savana de Áfricas

Pasárgada é utopia

Não há lugar algum nessa geografia

Só o teu corpo

Território por mim colonizado

beijos e carícias, de norte a sul

Explorado

Dentro, fora, além

Américas, Asia, Oceania

Nada

Não há lugar algum

Deita!

Põe tuas pernas entre as minhas,

Dá-me a PAZ!


(Terezinha Oliveira Santos - Teca Santos)

sexta-feira, 2 de abril de 2010

De: Teca Santos







(A)COLHA-ME!


 Hoje anoiteci tão sua

Entregue aos nossos momentos

Um gosto de saudade na pele

Um cheiro de desejo no olhar

Pulsação, fruto em larvas

Tão sua!!!

Sede,suor, sumo,

(A)colha-me!

Tão sua!!

Nesta noite lunar

Sua,

DiLUA-me!!


domingo, 7 de março de 2010

De: Teca Santos



PRO NOMES


TEU nome em MINHA memória

Ponte entre o que sou

e o quero ser agora: TUA

Senha, código, passagem

para o MEU corpo:TEU

Mulher, fantasia, loucura:EU

Universo onírico, simulacro:NÓS

Impossibilidades

Lugares outros, desterros de paixão

beijos em outras bocas: desencontros

Busca,ilusão

Cavalgadas, cansaços

MEU nome inaudível em TEU gozo:angústia

TEU nome, no meu..., grito surdo:SOLIDÃO

by Terezinha

segunda-feira, 18 de maio de 2009








ÂNIMO, ANIMA

Ir para a sala de aula, a cada ano letivo, está representando para mim a entrada em um campo de batalha entre a minha vontade de continuar e o desejo de desistir de uma luta (vã). Ânimo. Vamos lá. Escrever os objetivos no plano de curso, entregá-lo à gestão pedagógica e antever o LUGAR que lhe será DESTINADO, antever também a sua ineficácia diante de uma turma de alunos, em sua grande maioria, “robotizada”, perante uma palavra dita ou escrita, na tentativa de uma mobilização discursiva: “É pra copiar?”.
Resposta negativa, interesse idem.



Quem dera que o registrado naqueles papéis se tornasse, em sua concretude, uma pauta de discussões e encaminhamentos. Em relação ao ensino da língua materna, por exemplo,que a concepção bakhtiniana de linguagem, na qual a palavra é o fenômeno ideológico, por excelência, fosse realmente a orientadora de um processo interacional na construção de sujeitos socializados, cultural e tecnicamente formados em direção à sua autonomia. Não é essa a função da Educação?


Entretanto, há um processo comunicativo em sala de aula, quase sempre interrompido pelo professor/a na tentativa de se conseguir um mínimo da atenção do alun@, quando se pede que esse/a dedique menos atenção aos seus acessórios tecnológicos e participe da aula exposta. Notadamente, percebe-se que com o advento desses gadgets que vão do telefone celular a outros sofisticados aparelhos de entretenimento, mudam-se as formas de interação entre os próprios adolescentes, paradoxalmente, o silêncio é perturbador nesse contexto de fones compartilhados, suas vozes silenciadas e a nossa que não os alcançam.

E a figura do professor/a vai se transformando naquela imagem dos “evangélicos”, que perseverando em levar a palavra de Deus, não importa onde, nem quando, são tomados por uma força incomum e uma inabalável fé na “missão” de anunciar a volta do Salvador. Sabe-se também, que para muitos, aqueles/as não passam de fanáticos, alienados, ora, já não é essa a representação coletiva da maioria dos professores/as no imaginário social?

Volto a insistir na escola como o lugar do não-sentido para alguns educand@s e na sala de aula como a possibilidade de uma revolução ou o lugar da acomodação, muito bem caricaturado naquela imagem dos três macaquinhos, cada um com sua habilidade específica. Um quadro recorrente que moldura uma cena de leitura em sala, quando solicitamos ao aluno sua opinião sobre o texto que acabamos de ler. E como resposta: que TEXTO???

Ir para a sala de aula, a cada ano letivo, está representando para mim (...)


Terezinha Oliveira Santos
Professora das redes estadual e municipal de ensino de Salvador/Bahia

sábado, 1 de novembro de 2008

De:Teca Santos


Quero deixar um beijo para minha amiga Lídia, que ontem reencontrei em meio às compras em um supermercado.Conseguimos uma pausa para falar de tanta coisa, tanto tudo (?) , pois é , quando nos encontramos é tanta coisa... Essa amiga é uma daquelas mulheres "arretadas", com uma fibra que não se detecta em microscópio de laboratórios, desses que estudam os genes, genoma , etc., coisas e tais...qual nada! Essa fibra/mulher é coisa rara!Não sei se está em extinção, mas sinto um prazer imenso em saber que não importa o tempo e a distância, para você,querida, sempre guardarei um abraço mensageiro, daqueles que simbolicamente lhe diz: Você não está sozinha! Beijosssss

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

A insustentável leveza de ser


A insustentável leveza de ser

Ultimamente, em especial no campo da violência, a ficção tem mantido constante dialogo com a realidade.Não se sabe ao certo onde uma começa e onde a outra termina. Nesta semana que ora se finda, graças a Deus,uma das cenas da novela "Mulheres apaixonadas",de Manoel Carlos, em reprise nas tardes globais, chamou a minha atenção pela sua pertinência com o drama vivido por Eloá e outras adolescentes que, na seqüência daquele fato, também tiveram sua vidas ceifadas.Vítimas do mesmo motivo: a incapacidade dos algozes de aceitarem o fim de um relacionamento.

Na ficção, Helena e Téo estão nesse processo de desligamento conjugal. Os dois conversam amigavelmente. Ele fala da oposição entre os primeiros tempos de uma convivência, quando os casais se buscam motivados por uma paixão em comum. Entretanto, no sentido inverso ao início do percurso,quando o tesão desaparece, geralmente desaparece apenas para um dos participantes da caminhada. Esse é o problema, e a impossibilidade daquele de se “libertar” pode definir o casamento doravante, como um “cárcere privado”. Há vários tipos de “cárceres”. Os crimes passionais falam por si.

Penso nos diversos casais que, reféns, vivem juntos numa solidão a dois,durante anos e anos.Com o tempo,os limites de locomoção instalam-se, a começar, pela separação dos quartos. Olham-se, mas não se vêem, conversam, mas não se escutam. Onde está a porta de saída? Algumas portas são protegidas por “barricadas” representadas pelos filhos, os bens móveis e imóveis ou simplesmente pela ausência da atitude. Espera-se que apareça um(a) salvador(a), para o bem ou para o mal daquela relação.

Não raro, alguns reféns têm se deslocado para mundos paralelos em busca de uma saída. Um escape, hoje transmutado em espaço virtual, onde se pode viver a “quase” sensação de felicidade visual, auditiva, mas nunca um toque. Alguns percebem, depois, que criaram apenas mais uma grade, pois, a depender do contexto, a impossibilidade geográfica pode transformar a ânsia por um abraço em algo mais sublime que o sexo em si. Outra questão é que, esses amores, por se aparentarem impossíveis, se tornam perfeitos. Inesquecíveis.


A palavra cônjuge pode ser compreendida como “aquele que compartilha o jugo”.Assim fica mais fácil entender, ao se discutir a relação, o alcance da expressão “não estou segurando essa barra”. Todos temos o nosso jugo. A questão não é encontrar quem queira conosco compartilhá-lo, de preferência com o equilíbrio, condição básica para o bem-estar de ambos, mas buscar dentro de si a força necessária para levá-lo consigo, sozinho. O Outro é apenas o companheiro de viagem, por breve ou por duradouro tempo. O que pode tornar aquela tarefa mais leve, ou mais pesada, é a hora em que um dos viajantes "pede para sair".

Por

Teca Santos

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Escrituras...




Ao meu irmão, João Oliveira Santos , in memoriam

Há alguns meses, para nós, dias, horas , segundos ...tu nos deixaste e deixaste também, na partida, a dor da saudade, dor essa, tão coletiva em nossos dias...a diferença é que, quando mostrada no estardalhaço da mídia, para alguns, é apenas o "espetáculo" do cotidiano, mas, quando bate à nossa porta é engasgo, é revolta ,é impotência...é viagem de volta, nos deixando a todos, como um balão que perde o ar e faz piruetas loucas no espaço. Até hoje estamos girando nesse vazio da tua ausência. Vez ou outra nos pegamos chorando, soluçando as palavras para ti, palavras líquidas de amor e carinho, as quais voltam sem encontrar sua interlocução. Irmão, querido! Saudades das nossas prosas, sempre pontuadas por risos, saudades do teu jeito sem jeito, para dançar, para xingar, ou para falar tuas verdades. Teu orgulho do dever (quase cumprido)ao olhar atento os filhos brincando ao computador; da tua pressa e da tua inteligência para apreender o universo e da rapidez como esquecias das mágoas. Que falta sinto das conversas pautadas na linha do tempo, que eu, como irmã mais velha, as entabulava, para te dizer do dia , aliás, da noite de outubro em que nasceste; a parteira lá em casa, um alvoroço, que meus ouvidos de criança, atentos ,captavam. Depois, a ida ao quarto de nossa mãe e meu encontro contigo, na forma humana mais linda...que saudade! Se eu pudesse voltar àquela noite eu não te deixaria crescer; ficarias ali, eternamente bebê, com teu cheiro gostoso de alfazema e de menino bom, com aquele jeito que só pedia amor. Saudades, meu querido!!!Leve contigo a alegria dos meus olhos como o primeiro olhar fraterno que tu na Terra recebeste, e que, para sempre te guardará na imagem do anjo que, numa noite ,entrou em nossas vidas e que delas, numa manhã do mês de maio, tão cedo, saiu.




Da tua saudosa irmã,

</> Teca Santos

Permisso

          Permitir vem do verbo latino permittiére que significa “deixar seguir” ou “consentir”, dá licença para alguém fazer algo, autori...