domingo, 31 de maio de 2026

Permisso





        Permitir vem do verbo latino permittiére que significa “deixar seguir” ou “consentir”, dá licença para alguém fazer algo, autorizar, dar liberdade para que algo aconteça ou seja feito. Entretanto, a forma pronominal permitir-se , requer reflexão mais complexa, visto que , o pronome oblíquo “se” está a nos dizer que a ação recai sobre a pessoa que a pratica e, nesse caso, saimos da análise morfossintática e adentramos em campos filosóficos, ideológicos, jurídicos, enfim. Permitir-se , verbo transitivo direto, requer complemento, para consolidar sua ação, requer coragem, destemor, desatino e se potencializa quando encontra verbo congênere, representado pelo “foda-se”. Esse preâmbulo é uma forma de encontrar o caminho cognitivo para falar acerca do filme sueco “Je m’apelle Agneta”, ou Meu nome é Agneta, baseado no livro homônimo de Emma Hamberg, foi produzido por Anna Sofia Mörek e dirigido por Johanna Runevad. 
    Comecei a assistir à obra (Netflix) , desanimada e cheguei ao seu final, em lágrimas , com uma vontade louca de libertar gritos sufocados, travados desde tempos imemoriais . Agneta , interpretada por Eva Melander , representa muitas mulheres 49+ e o não sentido de uma vida conjugal e do papel de mãe depois que os filhos saem de casa. Ela tem sonhos: conhecer a França, ama sua gastronomia , compra vinhos, baguetes , macarons e queijos, mas precisa escondê-los do seu marido que não apóia seu gosto. Por dormir em quarto separados, ali é seu espaço de degustação e sonhos. Agneta está se preparando para a aposentadoria, mas é demitida, depois de 25 anos de trabalho. Desempregada , a situação non-sense se acentua . Na busca por nova ocupação , Agneta, enebriada pelo vinho,  lê o jornal e se candidata  a uma oferta de emprego: cuidar de uma criança, na Provença. 
    E assim , enfrentando seus medos de viajar sozinha , sem falar francês, Agneta permite-se ir.  Deste trecho em diante ,encerro meus comentários e convido à pessoa leitora a assistir a esse filme de auto-conhecimento , de escuta , de possibilidades de ser afetado pelo Outro em suas dores existenciais , de descobrir-se , de aprender a dançar, soltar o corpo , ao som de “Bravo , tu as gagné”,(The winner takes it all/ABBA), na voz de Mireille Mathieu,  a exemplo; assumir a direção de sua vida. em especial , quando o tempo , em seu esplendor , não importa a idade , é um convite à vida. Agneta me faz lembrar todas as vezes em que eu disse sim e mudei a direção do meu destino, por outro lado , ela me faz lembrar, também,  das vezes em que eu disse não , e segui buscando responder à questão  insóluvel: E se? Chorei por esse misto de sentimentos, na gratidão ao Sagrado pela vida vivida e pelas possibilidades do devir deste maio,que ora se finda. Je m’apelle Terezinha!!!!

Barra-BA, 31 de maio de 2026

domingo, 3 de abril de 2022

A Casa de D. Tiana!



                        É comum ouvirmos, em relação à escola, essa frase;" é a minha segunda casa".  Não discordo, cada um tem a sua ordinal lista afetiva. A minha segunda casa ficava na minha rua Itaberaba(Itapetinga-Ba), na mesma quadra: A casa de D. Tiana. Ali foi o espaço da minha adolescência,  o lugar dos risos, das leituras, das aprendizagens pedagógicas, reforços escolares, festa natalina. Década de 70. Aquela família chegou à nossa rua. O casal D.Tiana e seu Nino com seus quatro filhos ( Mário, Manoel Messias "Natal", Joaquim Neto, Rosimar) e Dinha (D.Purcina), irmã da dona da casa.  D. Tiana (Sebastiana) era uma mulher negra, alta, bonita  A cor de sua pele nos ligava ao vínculo ancestral diáspórico e também pelo acolhimento, pelo carinho dispensado a mim e a todos. Não reclamava quando a casa se enchia de meninas e meninos vizinhos que ali estavam para assistir à programação televisiva. Aquele aparelho era um objeto de luxo. Por isso , no lado de fora, a janela ficava repleta de rostos que quase se colavam um ao outro  na disputa pelo espaço, anteriormente marcado com pedras, pedaços de tijolos, enfim. Não importava o calor, o empurra-empurra e sim, assistir à  "Seres do Amanhã", "Viagem ao fundo do mar", "Tarzan". E a novela "Irmãos Coragem? O que era aquela trilha sonora da abertura? "Manhã..despertando lá fora...Manhã, já é sol, já é hora ...e os campos se abriram em flor...". "Esse programa é um oferecimento da Farinha de Trigo BAISA", esse passou a ser o apelido de Maisa (in memoriam) filha de D. Nalvinha. Aquela, com seus cabelos amarelos cor do sol, zangava-se diante daquele bullying (não era assim chamado naquele tempo, claro). Outros nomes faziam parte do pequeno grupo juvenil da minha saudosa rua. Às vezes, aconteciam rusgas e "ficávamos de mal". Juntavam-se os dedos indicadores para a imperativa ação do: "Parte aqui". O(a) desafeto com apenas um dedo cortava o ar em direção à ponte digital e desfazia aquela união. Cancelamento, desterro, solidão...exclusão das brincadeiras. O tempo tratava de resolver a situação e isso podia durar horas, dias, semanas, meses para que a harmonia se restabelecesse com um; "Vamos ficar de bem?" Vamos!!!!. 
            Precisávamos comentar a novela, o filme, o desenho animado, as experiências escolares, o futebol, a coleção de figurinhas para o álbum, a compra da próxima revista "CONTIGO" que trazia sempre um pôster de um arista... as fotonovelas da revista " ALMANAQUE GRANDE HOTEL" com seus artistas italianos ( Franco Gasparri, Katiuscia ..). Quanto mais plateia, melhor. Quantos letramentos naquelas oralidades! Por falar em novela, era um  sofrimento  quando perdíamos um dos  capítulo da trama de Janete Clair. O ator Tarcísio Meira (João Coragem), minha primeira paixão platônica, estava estampado em foto a ocupar a parede do meu quarto e a minha imaginação. Por mais que ele tenha envelhecido e encerrado sua jornada aqui na Terra, para mim, a sua imagem será, eternamente, a do "João Coragem". São aportes de memórias que nos atam às lembranças poéticas, necessidades cotidianas para se viver neste mundo de injustas realidades. Naquele tempo, antes da apresentação da novela, aparecia a imagem de um documento. Era o ateste de que o programa fora liberado pela Censura Federal, para nós, na inocência política, era apenas mais um atraso a retardar as emoções daquele folhetim. Voltando à casa de D.Tiana, lembro-me de um armário com suas portas: metade madeira, metade vidro, de onde se viam duas enciclopédias. Quando a Tv estava desligada e aquela fantástica senhora a costurar em sua máquina SINGER, eu aproximava com olhos de pedinte e ela me perguntava: O que você quer "Têco terecotêco?"-Ríamos e eu lhe pedia para "folhear" um daqueles livros. 

Ela, prontamente, me atendia. Dinha (In memoriam), sempre aborrecida, olhava-me de maneira atravessada e me perguntava: "Você não tem casa, não?". Hoje, essa pergunta me soa filosófica, rsrs. A casa pode ser qualquer lugar onde somos queridos. D. Tiana respondia: "Deixa a menina, Dinha". Mais que o carinho , era a sua defesa, era a proteção que ela nos oferecia,  Depois desse constrangimento, o mais importante era abrir o livro que estava em minhas mãos. Ali, eu podia viajar por diversas paisagens, conhecer países, as bandeiras, suas capitais, outras gentes, palavras novas, a literatura, o mundo estava a poucos centímetros dos meus olhos e profundamente introjetado nos meus sonhos. Quando, mais tarde, na minha identidade de professora, me vi em países estrangeiros por lazer ou em algum evento educacional, sempre tive a sensação de que já estivera ali. E estive! Assim, concordo plenamente com Paulo Freire quando ele nos diz que "A leitura de mundo vem antes da leitura das palavras". Assim, "A Casa de D.Tiana" foi a minha segunda casa, a minha escola, o meu passaporte, o meu refúgio, a minha comunidade. Há muito aquela amorosa senhora nos deixou, fisicamente, mas trago em mim essas lembranças como uma certeza de que a imortalidade sempre estará em nossos atos e no legado que eles produzem. 

 À D.Tiana (in memoriam), com profunda gratidão!

Sobre a rede




                                               Sobre a  rede 



Mais que um signo da cultura dos povos primeiros , 
com seus saberes , suas cosmopercepçoes e
tecnologias do bem-viver,  a rede é uma 
sofisticada criação, pela sua relação, 
extensão , conexão com o físico e o metafísico. 
Rede lugar de repouso , retorno fetal . 
Útero elevado no tempo, suspenso.
Rede acolhimento de corpos indistintos
Justa concha, aconchego , abraço tecido em fios 
Lugar de (des) fiar pensamentos ..
Rede lugar de afago 
Embalo afetivo no ouvir a  canção do vento ...
Acalanto , acalmar!
Pra lá ...pra cá...
Fitar o firmamento 
Desenhar nuvens com a imaginação 
Guardar esse universo no fechar dos olhos ..
Ninar -se!
Pra lá... pra cá...!
Aninhar-se !
Sonhar!

(Acervo Teca Santos)

sábado, 30 de janeiro de 2021

                    Das seringas de vidro, injeção e gratidão.




    Neste contexto pandêmico, atualizado pela crise econômicas e conflitos imunológicos, observo as mãos que manejam as seringas descartáveis e essa mirada me transporta para Itapetinga-Ba, nos finais dos anos 60. Eu era criança e, vez ou outra, tinha crises de amigdalite para as quais, depois da ida ao médico, o “Benzetacil” era o antibiótico recomendado. Vale lembrar que nosso plano de saúde era representado por uma carteirinha do “Sasderba”. Após meu saudoso pai, S. Argemiro, (in memoriam), retirar uma autorização no DERBA. Com o receituário em mãos, era necessário ir à “Farmácia de S. Walter /Farmácia Sudoeste” coletar os preços de cada medicamento; voltar àquele departamento, pegar uma guia, retornar à farmácia para retirar os produtos, entre eles, a famosa injeção, o “terror dos terrores”, a “treva das trevas”.


    A próxima etapa era encontrar pela vizinhança uma pessoa que soubesse e pudesse aplicar a “inominável” numa criança: eu, a infeliz, cujo destino estava selado e dele não poderia escapar. Minha mãe, D.Mira, buscou ajuda pelas redondezas da nossa rua Itaberaba e voltou vitoriosa. Era o começo da noite quando aquele senhor adentrou minha casa. Na névoa das recordações, as imagens vêm sem as formas concretas, flashes, uma cena aqui e outra ali. Lembro-me da luz do candeeiro; lembro-me de uma embalagem de metal de onde foi retirada uma seringa de vidro; a água, a ferver, à espera daquele objeto; o aguardar pelo seu resfriamento; a prosa dos meus pais com o ilustre convidado; meu tormento; o cheiro do álcool derramado na caixa de metal; o fósforo riscado; uma chama azul a se destacar sobre a mesa; a agulha esterilizada; o preparo da injeção; o rápido elevar da seringa para expulsar o ar contido no líquido branco. Aqui, as lembranças se apagam. A mente tem suas estratégias de proteção.


    Em meio a essas lembranças, reflito sobre pessoas que são imprescindíveis e da maneira como pontuam a nossa vida, seja pelo consertar de um aparelho doméstico, por costurar uma roupa ao nosso gosto; pela sua arte culinária; pela sua habilidade artesã, enfim. Dentre essas pessoas, neste texto, quero prestar uma homenagem àquele senhor, cujo nome voltava à nossa casa, nas narrativas da minha mãe ao relatar fatos, especialmente, a luta e a dor dos pais quando veem os filhos a sofrer. Obrigada, Sr. Manoel Gusmão,(in memoriam). Agradeço e, nessa agência, homenageio a todas às mãos habilidosas que , de maneira direta ou indireta, com seus saberes técnicos e/ou ancestrais têm colaborado no cuidado e na cura de corpos enfermos, fragilizados pelos diversos males a que estamos expostos.


Salvador, 31/01/2021
Terezinha Oliveira Santos (Teca Santos)

sábado, 18 de julho de 2020

De um ponto comercial e seus doces...



Primeiramente, nos anos 70 , a mercearia ficava ali na rua Potiraguá, se localizava na esquina com a minha rua Itaberaba, depois, mudou-se para o lado oposto daquela rua e se instalou perto da casa de D. Adélia. Era uma casa comercial, com seus balcões de madeira, altos para a minha idade, de onde, em visão oblíqua, eu prestava atenção naquele senhor sempre sério a nos “despachar”. Aquele estabelecimento também representava as oscilações financeiras da minha casa. Minha mãe saía cedo para o rio Catolé, onde se juntava a outras lavadeiras em suas funções cotidianas de complemento da renda doméstica. 

Meu pai, funcionário do DERBA, geralmente estava pelos trechos, longe de casa, a trabalhar. Nos dias de dinheiro escasso, minha avó, a quem chamávamos afetivamente de “mãe véia”, juntava os valores ¬ gratificações que recebia das genitoras por rezar os quebrantos das suas crianças ¬ e me encarregava de ir comprar óleo, açúcar , café , a exemplo, em pequenas quantidades, ou a retalho como bem se diz. Minha mãe, ao chegar do rio, com as mãos castigadas pela água e sabão, encontraria num gole de café fresco um pequeno conforto.

 A ida à mercearia poderia ser feita num pequeno percurso, sempre sob as recomendações anciãs para “ir devagar”, “não correr”, não parar “na casa dos outros” e trazer o que se pedia. Frases imperativas parcialmente obedecidas. Para as crianças qualquer espaço geográfico pode se transformar no mais extenso e fantástico território. Ao chegar à “venda”, solicitava os itens recomendados e ficava a observar: a balança, os pesos sendo ajustados , o pó de café colocado sobre um papel pardo e os dedos hábeis de S. Vavá atando as pontas laterais da embalagem numa rápida dobradura que deixava o pacote em formato de uma meia lua. O mesmo acontecia com a embalagem do açúcar. O óleo, esse passava por um medidor e a quantidade depositada no copo dependia do valor mencionado pelo cliente. 

Ás vezes, na porta do estabelecimento, estava parado um caminhão e seu enorme baú, onde estava grafada em letra enorme a palavra “Neusa”. Havia uma beleza na distribuição estética desse substantivo e, especialmente, na sua letra “a”: essa vogal se estendia num prolongamento artístico enlaçando aquele nome e minha imaginação. Era o “carro dos doces”. Os homens a “descarregá-lo”, as caixas, os pacotes, a mercadoria que depois estaria exposta num baleiro __com várias divisórias de vidro e suas tampas de alumínio__ que girava como um carrossel a exibir seus doces coloridos em vários formatos e sabores: “Geleia”, “Maria-mole”, “peito de moça”, “atum”(risos). Tudo. Tudo e muito mais estava ali. 

Em casa, enquanto dormíamos, minha mãe ficaria parte da noite a passar a ferro. Talvez eu sonhasse e, no sonho,  saberia que , pela manhã, eu entregaria a roupa em seu destino e, se a patroa pagasse, minha mãe me daria moedas como uma pequena recompensa. A mercearia estaria a me esperar, eu correria pra lá, entraria... giraria aquele baleiro e, numa alegria inconfessável, diria: - Quero esse!





quarta-feira, 24 de junho de 2020

Das recordações juninas...


Das recordações juninas ...



Há muito só restaram as lembranças de um tempo do São João,em Itapetinga. Essas recordações me levam de volta à infância e nela vejo minha mãe se preocupando com a necessidade de nossas roupas e sapatos. Assim, os meses que antecediam à festa, aqueles mais próximos, eram ritualizados pela ida à loja de tecidos e de calçados. Não que tivéssemos direito aos dois itens. Eu a acompanhava para escolher o tecido do meu vestido. Ali começava meu São João. Mesmo que essa ida às compras me trouxesse o dissabor de passar por uma ladeira íngreme, da qual eu morria de medo. Sempre me via caindo e essa visão me paralisava. Era um esforço imenso chegar à uma loja de placa pequena onde se lia o nome “Evereste”. Talvez tivesse esse nome por causa do monte. Não sei. Aquele ponto comercial, na subida e/ou descida, passou a representar para mim um dos desafios que eu deveria vencer na vida.

Essas lembranças me levam a algumas ruas com suas palhas de coqueiro , as fogueiras “armadas”, esperando o grande momento, e o colorido das bandeirolas que dançavam ao som do vento frio de junho. Do ar, vêm as lembranças sensoriais marcadas pelo cheiro doce do licor de jenipapo, do “quentão” misturado ao aroma dos bolos, ximangos, avoadores, dos “assados” e demais iguarias que fazem parte dessa gastronomia junina À noite, nossos olhos espelhavam o resultado dos fogos quando esses espocavam em luz e festa celeste. As crianças vizinhas, com seus pais cuidadosos na vigília das brincadeiras com as “chuvinhas” , “cobrinhas”, “traques” nos seus efeitos pirotécnicos e sonoros , dos quais eu e meus irmãos éramos espectadores.

Outra alegria, era sairmos, crianças em grupo, numa expedição pelas ruas próximas à nossa rua Itaberaba, perguntando: “São João passou por aqui?” Depois de decidir em qual casa perguntaríamos e quem teria a coragem de fazer essa ação. Felicidade era regressar com os olhos lacrimejantes pela fumaça, o riso solto, as mãos cheias de pedaços de bolo e aquele biscoitinho de goma que dissolvia e grudava no céu da boca, Da casa de D.Matilde e S.Tuca, a radiola a tocar: “Olha pro céu meu amor(...)”; “Com a filha de João, Antonio ia se casar (...)”. A noite terminava com a certeza de que no próximo ano tudo se repetiria. E eu estaria com um vestido novo, estampado com flores e bordado de esperanças.

Hoje, da minha janela olho pro céu. A fumaça do tempo deixou as saudades e a gratidão pelos dias idos e vividos. São lembranças que alentam ,mas que também fazem sofrer, em especial, pela recordação daquelas e daqueles entes queridos que já fizeram a passagem.Outras lágrimas causadas por outras fumaças.Entre elas, essa pandemia que acentuou separações, proibiu abraços, escondeu nossas faces, interditou caminhos, embaralhou os dias e nossas ideias.Sigamos, nos cuidando e na fé em novos dias para que, em tempos juninos vindouros, possamos ouvir nossa criança interior a nos perguntar: “São João passou por aqui?”.





Terezinha Oliveira Santos
24.06.2020

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020




                             Carnaval de Salvador: um recado, em baianês, para os turistas “desavisados”!!!

Rapaz! Se tem uma coisa que me deixa retada, é injustiça!! Aí, a mídia anuncia o carnaval de Salvador, mostrando a animação pré-carnavalesca e a pessoa vem me dizer que “ esse povo de Salvador só vive em festa”. Ora, pra bom entendedor ou entendedora, isso significa que o soteropolitano não tem o que fazer... ou aquela velha idiotice de que o povo baiano é preguiçoso. Dá vontade de “picarláporra...véi!"

Sendo assim, quem é que vai limpar as merdas, os xixis derramados pelos banheiros? Quem fará a comida para abastecer a vossa barriga, quando vocês chegam aqui, tudo esfomeados, por que não conhecem fartura? Quem tomará conta dos seus filhos mimados, mal-educados? Sim, porque têm muitas mães que só suportam os filhos na hora de tirar foto... são as babás, as “mães pretas” que sempre estão a postos. Estou mentindo? Quem cuidará dos seus pets? Todo mundo adora cachorro...sei, bem sei! 

Quem tomará conta da geriatria? Dos velhos e velhas caducas, que a maioria só diz gostar quando é para se aparecer no Facebook, ou pegar o dinheirinho da aposentadoria dos trastes!  Deus tá vendo sua extorsão!! Quem tomará conta daquele seu parente internado? Porque, às vezes, “as mizera”  dos parentes só adoecem na hora errada.  Quem vai abastecer os bares de bebida, lhe servir “mais uma”, a “de Jair” (crendesupai)? A “saideira”? Aguentar sua cachaça enjoada? "Rebâim de mizera!!!"

 Claro que estou falando do trabalho de uma galera que dá graças a Deus quando chegam esses dias.Apesar da humilhação. Sabe por quê? Porque precisam manter a dignidade, tantas vezes ameaçada em nome da limpeza étnica institucionalizada pelo biopoder...pela necropolítica! Se você já leu Achile Mbembe, Michel Foucault, sabe do que estou falando. Se é do tipinho que só busca as imagens nos textos, que lute para entender, “sinha disgraça”!!!   

Cada uma, viu?  

Ainda têm uns héteros que vêm loucos, de tudo quanto é lugar, alguns atravessam o Oceano, em busca do “negão” ou da negona (diabo de fetiche duzinferno!). O oposto também pode acontecer, claro! Vão se encontrar? Vão! Claro que vão, porque na cidade mais negra, fora de África, há corpos disponíveis e outros, não!  Depois de receber sacos no queixo, voltam, homofóbicos, para seus lares, para as “mulheres de Atenas” (será?) e ainda   saem  falando que não gostam de preto, que preto fede.. que é isso e aquilo. A quilo!  Me faça uma garapa, viu! 

Claro que estou falando de racismo, da hipersexualização das mulheres e homens negros, mas isso aí vocês já estão cansados de saber qual é a finalidade dessa estereotipia, nessa engrenagem da desumanização colonialista.. se você já leu Frantz Fanon me entenderá melhor, se não.. vá se informar, para não ficar igual ao ministro “boca de afofô”. Ministro da Educação! Kakaka! 

Eu quero é prova (esse é o outro, o conge) e um real de big-big...bang..bang! Estou pensando no edi de Queiroz! Rapaz! Deuzémais!!
Reflexões! Carnaval em tempo de “Covid-19”! Use máscara nessa cara de pau.. aí também, use camisinha!!
No mais, “(...) que bom você chegou!! “
Bem-vindo a Salvador....!

Terezinha Oliveira Santos
(Teca Santos)
14.02.2020






sábado, 1 de fevereiro de 2020


A imagem pode conter: 2 pessoas, incluindo Gean Santos, pessoas sorrindo, selfie e close-up


Casal texto


Em nossa vida acadêmica, somos "obrigados" a ler muitos livros . Às vezes, nessas leituras, não basta acessar a língua portuguesa. Temos que enveredar por outras compreensões das línguas estrangeiras. Isso é importante! São, também, demonstrações de conhecimento que transitam entre as relações de poder e as "fogueiras de vaidade", peculiares àquele ambiente. Entretanto, há lições, há textos que estão disponíveis no nosso cotidiano, impressos em gestos e, por pessoas comuns, pessoas ordinárias ou melhor, pessoas extraordinárias.

Graças ao Orun, tenho sido abençoada porque tenho esses textos bem perto de mim e, na alfabetização, nesse processo de (con)vivência , essas pessoas têm-me ensinado lições que não cabem em nenhum livro, não podem ser traduzidas por nenhuma ferramenta, analógica ou digital, porque escritas na linguagem do amor, com caracteres invisíveis, tamanho multidimensional, Fonte sentimental, capitular. Textos que só olhos que podem ver conseguem enxergá-los , compreendê-los, interpretá-los dadas às suas sutilezas. 
 
Esses textos requerem sensibilidade, sensorialidade e, quando digo "olhos que podem ver", estou me referindo à terceira visão,que paradoxalmente, pode ser acessada pelos visuais e pelos não-visuais. Das minhas leituras, destaco o casal/texto Édina Soraya(Dine) e Gean e nele vou corrigindo,ampliando, revendo minha compreensão da palavra cônjuge. Essa palavra pode nos provocar riso, quando a conectamos a uma certa figura pública, eu sei, mas, ela também pode-nos levar a reflexões. 

Dine e Gean me fazem acreditar na possibilidade das uniões. Não vou utilizar a palavra estável porque seria uma incoerência.Durabilidade e estabilidade são coisas diferentes. As uniões nunca são estáveis, porque sujeitas aos abalos íntimos e externos da sociedade, em especial, do núcleo familiar, em suas imperfeições, colaborações, problemas, soluções, confusões, tudo que faz parte do humano, do demasiado humano. 

Penso que Dine e Gean podem-nos ensinar que casamento é a soma de todos os medos, mais que nome de filme, isso significa que somos seres da errâncias e acertos, vitórias e fracassos , mas que juntos podemos encontrar o equilíbrio, ou equilíbrios. É preciso coragem! Casamento é mais que festa, álbum de fotografia, dancinha coreografada, festa parcelada em cartão de crédito até o Apocalipse. 

Gean e Dine, juntos, corajosos, têm-nos ensinado muita coisa e , nesse tempo que eles têm para se amar , é tanto amor, que ainda sobra sentimento para cuidar dos amigos.Juntos!
Esse texto é uma das formas que encontrei para expressar a minha gratidão, queridos! 
Muito obrigada!
 


#Saúde!
#Bençãos!
#Felicidades!

quarta-feira, 13 de novembro de 2019





 Novos corpos, velhas leituras


Do acervo Teca Santos (13/11/2019) @teka_olivei




Uma mulher negra, de meia-idade, sentada, com um livro nas mãos, em processo de leitura, ou com seus papéis e tecnologias a produzir seus textos, parece incomodar a muita gente, em certos momentos. É diferente a percepção quando estamos em outras atividades laborais, implicadas em servidão, a manusear outras ferramentas. Parece que não temos direito ao descanso, ao isolamento intelectual.  Há uma perversa semântica na amálgama desse corpo negro/mulher/trabalho. Quem já passou pelas experiências acadêmicas do Mestrado e Doutorado, sem licença profissional e cuidando da família, sabe muito bem do que estou falando. Uma mulher negra com uma pilha de livros e papéis em cima de uma mesa, também pode ser considerada uma louca, ou enlouquecerá de tanto estudar.


Ocupar o lugar de sujeito da nossa história é algo que desestabiliza a colonialidade das mentes ainda coloniais.  As leituras desse corpo negro intelectual exigem atenção, porque para muitos e muitas de nós, a consciência do racismo epistêmico é algo recente, em processo. Nessas leituras e interpretações, é preciso que seja respeitado o direito desse corpo mulher/negra/trabalho “não lavar os pratos”, no sentido poético da Cristiane Sobral; isolar-se num fim de semana com a cama recoberta de livros; não estar disponível para alguns eventos. Não é desleixo, não é ser mal amada, não é solidão. É uma relação diferente com o tempo. Um tempo que não tivemos e que nos é muito caro. É só um tempo de plantar. Assim, depois das mãos unidas, na força individual e coletiva do  “ninguém solta a mão de ninguém”, um dia, poderemos libertá-las  para a colheita. E essa será farta! Esse dia há de vir!





Terezinha O Santos (Teca Santos)

sexta-feira, 4 de outubro de 2019




 


Água das chuvas 

Quando eu era criança, tinha muito medo de chuva...
Qualquer chuva, mas em especial, daquela que  caía  à noite,
com relâmpagos e trovões...
Espelhos cobertos, vasilhas aparando as goteiras ...
Minha mãe dizia que o trovão era   voz de Deus, zangado,
porque fizemos alguma coisa errada. Em silêncio eu Lhe pedia perdão... 
e  lutava para o sono não me vencer naquela frágil vigília.
Tinha medo de a chuva destelhar a casa e a enxurrada nos levar para longe.
Nas noites de chuva,  chorava debaixo do cobertor,
 pensando nas pessoas que andavam pelas estradas, sem abrigo.
Pensava em meu pai que longe de casa trabalhava, nos trechos,
como um servidor público de um departamento de estradas e rodagens.
Será que estava molhado? Estava com frio?
A impossibilidade de saber notícias sua, naquele momento,
aumentava a quantidade das minhas lágrimas
e a dor era um  nó  em minha garganta.
Chuva memória!
Cresci!
A chuva continua a me trazer sentimentos tristes. 
Luzes e buzinas nessa cidade grande
Dentro do carro,pingos de chuva no pára-brisa..
Pessoas nos pontos de ônibus buscando abrigo
pés encharcados dentro dos sapatos...
A roupa molhada sobre a pele...cheiro de umidade
Frio no corpo e n`alma!
A chuva ainda a cair!
Sinto pelas pessoas que estão em  situação de rua 
Sinto pelas ruas e seus trapos, entulhos, dejetos sociais
E eu aqui,  ilhada, solidão
Chuva lamentação!
E essa  vontade imensa de estar em casa,
Se pudesse, você, meu edredom!
E a chuva passou no tempo  levando consigo as moradias
Casa (im)própia dos condenados!
Condenadas casas
Diluídas nos sonhos da alforria habitacional
Vidas soterradas! "Que sirvam de exemplo!", disse o alcaide
Não foi culpa da chuva.. ! Faltou a alvenaria, a viga.
O pobre sabe que  faltou a cidadania!

As águas volumosas e a chuva  têm de mim os mais 
puros sentimentos de medo e respeito
Pelas vidas que se foram para os reinos fluviais dos  encantados. 
Velho Chico, Opará!
Orar, orar pelos povos de quem lhes foram retirados o chão dos seus pés.
Tumbeiro de desterrados , entre o céu e o mar
E se chove?  Entre as águas, as lágrimas dos  ébanos transatlânticos,
one more time!
À deriva!
Redivivos em terras estrangeiras, quando se lhes acontece
 Em outras terras  (sobre)viverem!

E assim compreendo que essas águas são a metáfora da vida
Água nutriz que nos orna no lar uterino
Água início e fim..dialética
Águas benditas soluçadas nas preces sertanejas
Água profética que arrebenta a semente
Água planta
Água benfazeja...assim seja. Água!!
E essa sede de viver
E esse medo que nunca passam... !



Foto: William Ferreira Carvalho

terça-feira, 21 de agosto de 2018

                 De uma fã, com amor!




Não sou dessas fãs que, enlouquecidas, gritam, desmaiam quando podem ver seus ídolos /ídolas  no mundo real, ali no palco, ou alhures. Não. Não sou! Preciso repetir essa negação que, paradoxalmente, traz em si uma afirmação. Portanto, estou mentindo. Minhas lembranças me traem, pois me comportei daquela maneira quando tive o prazer de, certa ocasião,  assistir a um show de Emílio Santiago, na Concha Acústica, em Salvador.

A emoção de estar pertinho do artista, cuja voz tocava fundo a  minh’ alma, acelerou meu coração, arrancou gritos da minha garganta, num frenesi de libertação e entrega. Obrigada, meu querido Emílio,  que tão cedo partiu para o Orum. Agradeço-lhe por despertar em mim a empatia e a solidariedade com aquelas e aqueles que têm a coragem de querer bem e, nesse bem querer, se permitirem a um instante de felicidade na artística presença e potência do Outro.

Atualmente, meus afetos estão partilhados entre três atores brasileiros: José Dumont, Irandhir Santos e Caco Ciocler. Não sei muito sobre os mesmos, enquanto homens ordinários. Não sou de ficar vasculhando suas vidas. Gosto. Gosto e admiração se confundem e tenho interesse por tudo que a eles dizem respeito, enquanto atores. José Dumont é um artista que traz em si uma força bruta como uma essência, a ponto da personagem e ator se confundirem, em especial, quando ele interpreta o sertanejo,  sua mais recorrente atuação, o que colabora para ator/personagem e paisagem mesclarem-se poeticamente. 

Seu último trabalho, em Onde nascem os fortes, foi para mim a sua mais bela metáfora com a interpretação de   Tião das Cacimbas e suas frases (des)conexas, mas não posso esquecer da personagem amarga, animalesca,  a fabricar e comercializar  rapadura na dura caatinga, no filme Abril Despedaçado. Poderia enumerar mais e mais trabalhos do Dumont, mas seria como andar em círculos. 

Meu segundo favorito é o Irandhir.  Gosto de Irandhir Santos pela calma do seu olhar. Sua expressão visual, independente da personagem, transborda uma ideia de tempo, como a água que lentamente move o moinho.  Há na sua essência uma sensualidade que está ali,  mas finge-se imperceptível, o que a acentua e imprime ao ator  um charme especial.  Entre seus inúmeros trabalhos artísticos, tenho carinho especial por Zelão, em Meu pedacinho de chão, representação que melhor o traduz no meu imaginário.


Caco Ciocler  é um dos meus preferidos, há muito. Gosto da sua versatilidade...das suas reinvenções para compor personagens. Gosto também do seu olhar e do sorriso que se inicia nos olhos e se espalha pelo rosto, ampliando sua beleza serena, escamoteada. Na cena da novela Segundo Sol, no capítulo de ontem, vi seu personagem, o Edgar,  transbordar-se em choro, mas um choro interno, um choro que, soluçado em engasgos,  revelava o  homem impotente diante das vicissitudes. A cena refletia muito de nós, brasileiras e brasileiros, nessa realidade caótica diante dos noticiários cotidianos e fatos circundantes. 

Portanto, esse é o trio de homens cujos nomes levam-me a assistir a qualquer produção na qual eles apareçam. Se um dia gostaria de encontrar-me com um deles? Não. E esse "não" significa dizer que a minha admiração é destinada ao que eles representam no meu imaginário afetivo e esse não tem nenhuma obrigação com a realidade, além do mais, concordando com o filósofo espanhol, Miguel de Unamuno, “que bela é uma laranja, antes de ser comida”. É isso. Quero apenas contemplá-los. Assim.


Terezinha Oliveira Santos. 21/08/2018


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

O "Big Brother" e a vida!



Na aula de hoje, com a turma de Agronomia/Medicina Veterinária, entre tantas discussões, falamos sobre o Carnaval de Salvador a partir de um desabafo que fiz, quando afirmei o quanto fico “retada” ao ouvir que “baiano é preguiçoso”. Tratamos desses estereótipos, antes de começarmos a leitura, tendo como objeto de estudo o artigo de opinião “Cultura da Paz”, de Leonardo Boff. E assim, seguiu a aula, com exemplos de poder e dominação,  quando o programa Big Brother surgiu como um exemplo das porcarias que a Rede Globo oferece ao telespectador. Ouvi. E, após as falas, coloquei-me dizendo que não perdia aquele, que sempre que podia, estava lá, assistindo, vivenciando. Um aluno me disse, com cara de espanto: - A senhora é a primeira professora, daqui, que diz gostar do programa. Reafirmei que gostava e fui explicar o porquê.

Independente de saber que sua criação é inspirada no livro 1984, de George Orwell, vejo o entretenimento como uma metáfora da vida. Faço minhas analogias a partir das suas etapas: Participantes são selecionados e passam um tempo em confinamento. Podemos comparar essas ações com a concepção e o período de gestação a que estamos submetidos. Depois, num dia determinado, todos adentram a casa, individualmente, abrindo uma porta, o arquétipo da transposição, o nascimento,  e assim, inauguram com suas presenças o lugar onde viverão experiências, ora coletivamente, ora individuais. Por que é um jogo? Ora, porque, como diz Fernando Pessoa, o poeta português, “a única certeza é que não há certeza”. Ok! Você pode afirmar que há manipulação.Concordo, na vida, também pois, todos nossos planos precisarão do aval do ser superior. Tudo dará certo, se Deus quiser. Bom, se você for ateu, pode dizer que tudo está a cargo do Universo...de qualquer modo, você não controla zorra nenhuma. 

Dando continuidade ao meu raciocínio, lá no jogo, alguém se torna líder...experimenta as relações de poder mais de perto, vê quem lhe cerca com bajulações, quem lhe teme... e o medo é um dos mais fortes elementos de controle sobre alguém. O poderoso nutre-se desse sentimento, alimenta seu ego e, ao condenar alguém ao paredão, condena também a si mesmo. De novo, o medo. Então, é o medo que nos impele. E aqui trago um trecho de um discurso de Mia Couto, escritor moçambicano, em sua fala na Conferência de Estoril, em 2011, quando em sua citação de Eduardo Galeano, nos diz: "Os que trabalham têm medo de perder o trabalho; os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho; quando não têm medo da fome têm medo da comida; os civis têm medo dos militares; os militares têm medo da falta de armas e as armas têm medo da falta de guerras. "E, se calhar, acrescento agora eu: há quem tenha medo que o medo acabe". 

Na cultura do medo, dentro do jogo, “os anjos” funcionam como seres que ajudarão os participantes, como um lenitivo, um bálsamo. Uma blindagem. No discurso judaico-cristão, temos nossos anjos da guarda. E temos as contradições. Anjos e monstros, o bem e o mal, as mentiras e as verdades, o amor e o ódio. Enfim,  a dualidade que nos acompanha vida a fora, além do  post-mortem, com seu céu/inferno, salvação/condenação. Ao final, alguém sairá com o prêmio. Será então o campeão do jogo. Ganhará. E aqui, precisamos refletir acerca do conceito dessa palavra. O que é ganhar? Para ganhar o que você perdeu? Ora, se faço a comparação do jogo com a vida, se a porta de entrada é a transposição para a vida, ao sair da casa, são vivos ou mortos? 

Saída. A luta agora é pela reencarnação.Com todo respeito à religião. Preciso dessa analogia para ilustrar a busca pela fama, pela continuidade da fama.  Alguns "voltam", numa novela, num programa qualquer, mas sempre ligados à vida passada, como um estigma. Em relação ao vencedor, se no pensamento filosófico, nenhum homem se banha duas vezes na água do mesmo rio, pois já não é o mesmo curso d´água, nem o sujeito é o mesmo, logo, independente de ser agora um milionário, esse campeão precisará se reinventar, renascer, agora, com medo de que o dinheiro acabe. Sendo assim, sob o signo do medo, o jogo continua. É a vida, em sua dialética. 

Profª Drª Terezinha Oliveira Santos
Com agradecimentos à Turma 01 de Oficina de Leitura e Produção de Textos Acadêmicos- Universidade Federal do Oeste da Bahia
Centro Multidisciplinar Campus de Barra.
Aula - 06/02/2018

@bigbrotherbrasil

@bbb24



domingo, 7 de maio de 2017

Sobre a morte...diferença entre gente e pessoas.





Essa questão, por um bom tempo, ocupou a minha mente, ali, "apertando" meus pensamentos, numa interlocução íntima. Tal dilema ocorreu após um comentário de um amigo acerca dos meus sentimentos, à epóca,  pela   morte do ator Domingos Montagner. "Todo dia morre gente", disse-me.Fato. Argumento poderoso, porque a finitude do fôlego é nossa isonomia biológica. Força maior.Diante daquela incontestável observação, meu sentimento de perda cedeu lugar ao alheamento,à ruminância filosófica. Sim, meu amigo, todo dia morre gente, mas, quando a"indesejada" nos leva alguém do nosso apreço, ela nos leva pessoas. Essas colocaram sinais de pontuação em nossa história, logo, sem elas, nossa narrativa não seria um texto coesivo. Gente, não. Gente é a parte ordinária que nos coletiviza...é a massa ambulante, impessoal. Pessoas habitam a parte mais sensível da nossa memória. De alguma forma, estão implicadas em nossas emoções, das mais leves às mais profundas, às mais caras. Pessoas são fios que nos ligam nesse Universo, antes de  nossa chegada e, após nossa partida. São seres presentes ou ausentes, mas nunca separados, porque, basta um pensamento para trazê-los perto. Todo dia morre gente, mas, na leitura do obituário cotidiano, os nomes ali constantes, enquanto para muitos são  estatísticas, para outros, são substantivos próprios pranteados na despedida e na dor expressa  na primeira pessoa dos pronomes possessivos. Subjetividades. Todo dia morrem acervos afetivos. Lamento íntimo, ad infinitum.


Ao meu irmão, João Oliveira Santos, ao meu pai, Argemiro Anjo dos Santos, à minha avó, Maria Carolina dos Santos,in memoriam.




sexta-feira, 23 de dezembro de 2016



Refúgio


Toda vez  que ventanias, tempestades, abalos sísmicos 
ameaçam minha frágil estrutura
é em você que penso...
meus pensamentos voam em busca
da tua voz morna e calma
do teu aconchego,do teu cheiro english  lavander

Com você poderia enfrentar qualquer perigo
My capitain! My hero! ...My love!
Eu, mulher, valente a velejar em tuas águas...teu suor
teu aconchego...testosterona!!!

Toda vez que a brisa mais fria desnuda a minha pele
é em você que penso sob o edredom...refúgio...
patchwork de nós dois...inteiros...exaustos!!!

Toda vez  que ventanias, tempestades, abalos sísmicos 
ameaçam minha frágil estrutura...sou homeless a vagar!!







Permisso

          Permitir vem do verbo latino permittiére que significa “deixar seguir” ou “consentir”, dá licença para alguém fazer algo, autori...